Resumo histórico da nação ucraniana



   
 Dentro da ramo indo-europeu de povos( que hoje habita todo velho continente,
 península índica e porções diversas da Ásia ),existe um grupo numeroso chama-
 do eslavo.
     Os eslavos aparecem no cenário da história, no começo de nossa era,  inclu-
sos no  contexto das  grandes migrações de povos. Inicialmente ocupam exten-
sas faixas de terra entre o  mar Negro e as florestas situadas além das estepes
ucranianas. Depois, iniciam  fluxos migratórios que os  conduzem ao litoral dos
mares Báltico, Adriático, Egeu e aos maciços alpinos.
     Entre os séculos IV e VI, os eslavos começam a fundar pequenos estados e-
fêmeros nos territórios hoje compreendidos pela  Ucrânia, Bielorussia, Rússia,
Tcheco e  Eslováquia, Polônia,  Eslovênia, Macêdonia, Croácia, Sérvia, parte da
Alemanha, Hungria, sul da Áustria, norte da  Albânia  e invadem a Grécia.
     Comprimidos entre os  Impérios Franco e Bizantino, os eslavos  formam o pri-
meiro grande estado oriental, conhecido como Rus Kyivana  por volta do século
IX. Há diversas  teorias a  esse respeito; a mais difundida, narrada  pela Crônica
de Nestor dá conta do fato de que guerreiros nórdicos da Escandinávia, conheci-
dos sob o  nome de  varegues, teriam  penetrado pelos grandes rios até a costa
do mar Negro, e em simbiose com a população  local, teriam  fundado o Estado
Kyiviano, cuja  capital era a  cidade de Kyiv, antigo centro do reino dos Kazares,
cuja estensão territorial ia dos Montes Cárpatos ao norte do Cáucaso. Em breve,
a população da Rus  Kyivana  integra o reino de Oleg ( 879-914 ), que alarga as
fronteiras de seu estado até o  rio Don, a leste, sob a influência da cultura bizan-
tina, Sviatosláv, o conquistador ( 964 -972 )chega a ameaçar com suas tropas, a
cidade de Constantinopla. Volodymyr, o grande ( 979 -1015 ), desposa a irmã do
imperador bizantino,  Anna e converte-se ao cristianismo, que se torna a religião
oficial do estado. A obra de Volodymyr tem continuidade durante o reinado do fi-
lho, Iarosláv, o sábio ( 1019 -1054 ),que transforma Kyiv numa grande metrópole,
constrói  igrejas, funda bibliotecas e estabelece a Rússka Pravda, primeiro códi-
go de leis do mundo eslavo. O cristianismo  triunfa sob o reinado de  Volodymyr,
mas o príncipe considerava importante a existência de padres que falassem seu
idioma e Bizâncio não os podia fornecer, fato que os conduz à formação de uma
igreja nacional, com cléro autônomo.O Estado Kyiviano torna-se um dos centros
cultuais mais importantes da época. O reinado de Iarosláv dá lugar a um período
de grande instabilidade dentro da Rus  Kyivana, ameaçada  por povos nômades
das estepes. Outras  populações eslavas começam então, aglutinar-se em torno
de  Polótzk, mais ao norte, que se tornaria o centro histórico da nação bielorus-
sa, e em torno de Suzdal, futuro centro histórico da nação russa.
      A partir da segunda metade do século XI, com a invasão mongol, dá-se início
ao deslocamento da vida cultural da Ucrânia para oeste, nas regiões conhecidas
como Galícia e Volynia. A Galícia, um  principado autônomo, cuja capital  Khali-
tch  tem  um elevado desenvolvimento durante o período de  Iarosláv  Osmomysl
(1152-1187),contudo as dissidências entre a nobreza local, tiveram como conse-
qüência a anexação da  Galícia  pelo  principado da Volynia, cujo apogeu ocorre
sob o reinado de Danilo ( 1205-1264 ),Rei da Galícia-Volynia. Danilo torna-se um
importante monarca europeu, mas o avanço tártaro-mongol coloca os ucranianos
sob tutela asiática. No final do século XIV, os ucranianos se livram do julgo mon-
gol, mas suas terras são divididas: a Lituânia ocupa a  Volynia e Kyiv; a Polônia
anexa a Galícia, que se libertaria da  tutela  polonesa  sómente em 1772, com a
divisão da Polônia, quando foi atribuída à Austria. A Volynia e o restante das ter-
ras ucranianas, após as disputas entre poloneses e lituanos, integrou a  Polônia
até o final do século XVIII, quando  então passou  ao domínio do império russo e
em 1921, pelo tratado de Riga,  foi novamente dividida entre russos e poloneses,
retornando ao  domínio Soviético  em 1945. Com a  União de Lublin em 1569, os
poloneses  anexam  todas as terras ucranianas, submetendo-as a um acelerado
processo de  polonização sem  sequer se importar com a defesa dos ucranianos
das sucessivas  invasões asiáticas. Diante disso, o povo ucraniano começa a re-
tirar-se para as estepes do baixo Dnipró,organizando em 1552 uma fortaleza que
seria conhecida pelo nome de Zaporojka Sitch,sob a liderança de Ostap Dachké-
vytch e  Dymytri  Baida-Vychnevétzky. O Estado  cossaco era quem organizava
incursões militares em defesa do povo ucraniano,e em 1648, sob a chefia do het-
man  Bohdan  Khmelnytzki, os ucranianos derrotam os poloneses e conseguem
estabelecer sua  independência, que no  entanto teria  curta   duração. Em 1654
Khmelnytzki  conclui com a Rússia o  tratado de Pereiasláv, que deveria avalizar
a  independência ucraniana. O   tzar  russo, no entanto, traindo o acordo, assina
com os poloneses, em 1667, um  tratado que resulta em nova partilha das terras
ucranianas. A liquidação do  Estado  ucraniano,seria realizada durante o reinado
de Katarina ( 1729-1796 ), que expande o império  russo e coloca os ucranianos,
dominados antes pela Polônia, sob o domínio russo-austríaco. O movimento  na-
cionalista  ucraniano  continua  a desenvolver-se, e  com  a  eclosão da Primeira
Guerra Mundial, num cenário de grande devastação, em março de 1917,os ucra-
nianos formam um Parlamento próprio dirigido por  Mykhailo Hruchevsky ( 1866-
1934 ). Em 23 de junho de 1917, a Ucrânia  proclama sua  independência, sendo
presidida por  Hruchevsky, tendo como primeiro-ministro Volodymyr Vinnichenko
( 1880-1951 ) e  Simon Petliúra ( 1879-1926 ), comandante das Forças Armadas.
Em 1918 as populações ucranianas do império austro-húngaro ( Galícia, Bucovy-
na, Bessarábia e Transcarpáthia ), conseguem autonomia e formam a República
Autônoma Ocidental, que em  22 de janeiro de 1919 se une a República Popular
da Ucrânia. Após o armistício de outubro de 1919 ( final da Primeira Guerra Mun-
dial ), o  império  austro-húngaro é  liqüidado e as terras da República  Ocidental
Ucraniana  são  divididas  entre  Polônia, Romênia e Tcheco-Eslováquia. Através
do  tratado  de Riga em 1921, a  independência da  Ucrânia central acaba sendo
anulada, porque  Khristian  Rakovsky, representando o governo comunista  ucra-
niano de  Kyiv, que venceram os  nacionalistas em 1921, concorda em ingressar
na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1924. Em setembro de1938,
a Alemanha nazista invade a Tcheco-Eslováquia e a Hungria, também facista, a-
nexa em 1939, a Ucrânia Carpática, assim com exceção de Kholm  e alguns dis-
tritos ao sul ( na Polônia ocupada pelos alemães) e da  Ucrânia  Carpática ( ocu-
pada pelos húngaros), todos os ucranianos passam para a tutela soviética já que
a Romênia cedeu a Moscou a Bukovina e a Bessarábia.
      A luta dos nacionalistas continua nas terras ocupadas pela Polônia, Romênia,
Tcheco-Eslováquia e na república soviética;a Organização dos Militares Ucrania-
nos, chefiada pelo  coronel  Ewhen  Konovaletz ( 1891-1938 ), é formada, na sua
maioria de jovens guerrilheiros. Em 1938 tem início a Segunda Guerra Mundial e
a Hungria, associada à Alemanha, invade a Ucrânia  transcarpática, em 1939, a
URSS,  junto com a Alemanha, invade a Polônia e anexa a  Galícia à República
Socialista Soviética da Ucrânia;a Romênia devolve a Bessarábia e Bukovyna que
tambem passam a fazer parte da República ucraniana e as populações não ucra-
nianas dessas regiões, formam a República de Moldova.
     Em 1941,a Alemanha invade a URSS, sendo a República ucraniana a primeira
a ser ocupada,e em 30 de junho de 1941,a Organização dos Nacionalistas Ucra-
nianos  proclama a  independência em Lviv. No dia seguinte, todo o governo e os
líderes Stepan  Bandera e Jaroslav Stetskó, são presos e sem julgamento, envia-
dos ao campo de concentração de Buchenwald onde permanecem até 1945.
     O OUN (Organização dos Nacionalistas Ucranianos), organiza resistência sob
o comando do general Roman Chuchévych ( Tarás Chuprynka ) e luta ao mesmo
tempo contra dois ocupantes, a  Alemanha facista e a Rússia comunista. A luta
continua até 1951, 6 anos após o término da Segunda Guerra Mundial. A repres-
são é muito forte; centenas de  milhares de ucranianos são enviados para os gu-
lags de Sibéria, poucos conseguem sobreviver e o processo de russificação con-
tinua até os anos 80,  quando surge no final da década, a nova política de peres-
tróika na URSS. Os sentimentos nacionalistas são reacesos e em 1990 o parla-
mento comunista da Ucrânia, proclama a soberania.
     Em 24 de agosto de 1991, com o fracasso do golpe promovido pela linha dura
do Partido Comunista contra Gorbatchev,a Ucrânia se desliga da URSS e decla-
ra  sua  independência, que aprovada em plebiscito pela população, obteve reco-
nhecimento internacional.  Das primeiras eleições gerais para presidente,em de-
zembro de 1991, saiu  vitorioso Leonid Kravchuk. Em 1994 é eleito o ex-primeiro
-ministro  Leonid  Kuchma. A  nova  constituição, aprovada em 1996, estabelece
que o poder executivo é exercido pelo presidente, eleito diretamente por voto uni-
versal para um mandato de 5 anos, com possibilidade de reeleição.O congresso
( verhovna rada ),é composto de 450 deputados e eleitos por votos distritais para
um mandato de 4 anos.