Pêssanka


     Na história do povo ucraniano sempre esteve presente a tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte entre o 5º e 3º milênio antes de Cristo, não de ovos reais, mas de cerâmica descobertos em escavações próximas à aldeia de Luka Vrublivets'ka em um sítio de cultura tripolye ( assim chamados devido à primeira descoberta dessa cultura ter sido na aldeia de Trypillia (ucraniano: Трипiлля), no departamento de Kiev, Ucrânia.
       A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo, está no fato do mesmo possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surgiria a vida.
      Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos, assim durante a festa da primavera, acendia-se uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do solstício de primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa e ofereciam seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo; também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza. Neste tempo anterior ao cristianismo,  os ucranianos estavam ligados à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as festas da primavera; então a solução encontrada pelo clero foi a adaptação deste antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo. A antiga e tradicional festa da primavera, transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva. As pêssankas, continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero religioso fez com que se abandonassem as crenças aos entes da natureza, extinguindo-se os costumes tidos como pagãos.
      As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos entes queridos na época da Páscoa, simbolizando a ressurreição de Cristo, promessa de um mundo melhor, mas conservando ainda os desejos do homem em relação à boa colheita, saúde, riqueza,etc... As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos expressando a materialização das boas intenções.            
    A arte de "colorir" esses "ovos inscritos" (pêssankê), deriva do verbo ucraniano pêssate que significa escrever, pois são inscritos símbolos no ovo de acordo com o propósito a que se destina a pêssanka.

 

Abaixo o significado de alguns dos símbolos mais utilizados na inscrição da pêssanka:


   amor, felicidades, amizade sincera

   saúde, vitória contra o mal

                           fartura, boa colheita

   juventude eterna

                            realização, casamento

   sorte, fertilidade

   sabedoria, compreensão

   proteção, prosperidade

    proteção, prosperidade

    alegria, prosperidade

   alegria, prosperidade

                          eternidade, separar o bem e o mal